ALFAIATE

Agora eu me tranquei
nesta caixa escura e cheia de sons
Onde devo remover os pregos
e costurar sem sair do tom
com minhas agulhas
e minha linha branca
de escritor do acaso
A boca cheia de pedaços
de tortas de maçã
Tateando no breu
três pontinhos
com as linhas brancas
Eu pego a tesoura
e vou recortando tudo e colando 
De modo que você nem imagina
como é difícil
como é absurdo
escrever nessas condições
Sem ânimo
Com um som desses na cabeça
Como se eu fosse um telepata
ou uma britadeira, sei lá
Você precisava costurar
no escuro para saber ou acordar
e ligar os pontinhos de luz
e brincar de costurar...